sexta-feira, 15 de maio de 2015

O Tempo. Meados de 2011


E se o tempo resolver parar para lhe dar um pouco de atenção?
"Então caro amigo. Estou com um tempo livre. O que posso fazer por você?"
'O que exatamente pode fazer por mim?'
"Tudo oras! Posso apenas virar um pouco para esquerda e te trazer de volta a pessoa que tanto ama! Posso girar um teco para a direita para lhe mostrar seus sonhos realizados! Basta algumas voltas e você poderá corrigir seus erros! Me diz então. O que deseja?"
'Há algum ponto em minha história em que fui, somente eu? Sem mascaras?'
"Ah! Sim. Aposto que estás a me culpar não? Com o tempo a gente acaba mudando... Com o passar do tempo que me tornei assim e assado."
'Por que culparia outro alguém senão a eu mesmo? Pois de fato me perdi "com o tempo" mas somente porque permiti que isso acontecesse!'
"Hahahahahah, pois é o primeiro que vê a verdade sobre o tempo! Está bem! Deixe-me procurar. Hun. Ah sim! Aqui está! Achei! Devo te contar que esse passado não está muito distante. Apenas algumas voltinhas e...
'Não! Espere!
"O que agora? Acha que tenho todo o tempo do mundo? Na verdade tenho hahaha, mas não quero gastá-lo com você!"
'Espere! Já volto!'
"Aonde vai? Oras essa agora! Tinha que escolher logo alguém que acha que o tempo pode ser desperdiçado."
'Voltei. Agora sim estou pronto! Vamos?
"Onde foi criança? Para voltar não precisas de nada!"
'Fui pegar papel e caneta...'
"Para que? Realmente tinham razão quando diziam - Com o tempo esse ficará louco! Hahaha."
'Pois não estou louco! Quero apenas observar e anotar minhas ações para descobrir o que estou fazendo de errado agora.'
"Como assim? Você tem a chance de voltar ao passado e aproveitar tudo o que mais quer mais uma vez!"
'Não quero voltar e ficar. Do que vai adiantar passar por tudo de novo se ainda vou continuar a errar e me perder novamente? Quero me lembrar de como eu era... Para no presente voltar a me achar. Para quem sabe talvez no futuro aproveitar tudo o que mais quero.


sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Cinza. (Meados de 2009)

Os mesmos tons de cinza, de negros; escuros, claros… Frios. Nublado, escuro, sem cor. Os mesmos sons melancólicos, as mesmas notas pardas; tocadas por dedos sem felicidade, sem tristeza… Apenas timborleando as teclas, brancas e pretas. Sorrisos mentirosos, em tons de rosa. Sorrir para quem sabe talvez sentir o gostinho vermelho da alegria. Nada. Somente um ato sem sentido, cinza claro. Olhos amendoados, brilhantes, há um tom de verde neles? Talvez por causa de suas lágrimas… A mais bela das verdades! Transparentes, sim… Pequenos cristais, porém novamente não há cores ou talvez… Há momentos em que raios de sol são capazes de cruzar seus caminhos; reflexos de azul, verde, vermelho, roxo… As setes cores no espelho d’alma. Qual será o sabor da lágrima, se não por tristeza? Adocicado como deve ser o lilás. Que gosto tem um beijo selado por amor? Nunca os senti… Todos meus beijos foram apenas rubros, luxúria. Azedos. Toques quentes, laranjas como chama mas carinhosos como chocolate ao leite. Nunca os recebi… Apenas pecado, salgados. Cores e sabores errados…


segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Olhe... Porcure. (meados de 2010)

Cadê você? Não! Apenas não existe mais. Talvez você o tenha guardado em algum lugar, naquela gaveta? Não. Eu o joguei fora.
Já sei!
O arrancaram de mim, sim, foi isso…Levaram embora, é.
Levaram embora meu amor, minha paixão. Hahahaha deixaram no lugar o medo, a insegurança.
Mas eu; eu o quero de volta! Preciso de meu sorriso, não sou nada sem essa vontade… Porque? Porque me mataram assim? Eu não entendo. Eu não fiz nada… Eu apenas… Apenas fui ele, fui o que eles mais precisavam. Certeza que não está escondido?
Escondido? Ha, porque? Não. Eu sei! O enterraram, vivo… Pulsando.
Em algum lugar o sinto pulsando. Ele gosta de vê-lo, de sorrir quando o vê quase parando. Seu prazer!
Eles foram meu prazer…
Devolva-me! Chega! Devolva-me o que é meu por direito, é meu… Eu somente o emprestei; eu apenas o dividi com você.
Solte-o, por favor, estou lhe implorando. Tire suas garras de mim, está doendo tanto. Eu sinto o cheiro adocicado de meu sangue e eu sei que é isso que queres! Porque agora? Por qual razão o está tirando de mim? Se eu lhe dei quando precisava de vida. Não é o bastante? Agora quer me ver lutando para respirar também? Cada luta minha é seu gozo final? Dei-me o que restou dele, para eu o entregar a quem posso ser cuidadoso, a quem possa zelar por ele…

Minhas entranhas estão vazias, eu não gosto do oco que sinto. Eu estou com medo! Pode ao menos segurar minha mão por enquanto?

Minta para mim enquanto termina de me destruir. Não? Está bem…

Apenas me avise quando terminar. Vou limpar tudo, prometo! Vou juntar as cinzas e talvez…

Sim; vou dá-las para outro assassino, um mais doce. Um que não seja tão frio ao me jogar no abismo. Deixe-o juntar-me novamente sim?

Está bem, está bem! Vou guardá-lo ok? Ninguém mais me verá, é assim queres? Não tens piedade de mim? Terei que ser para sempre da escuridão? E a lua? Deixe-me com ela! O frio não dói mais…

Acabou? Até quando vai se vingar de mim? Até quando vai puni-lo, por te amar? Já lhe disse! Não sinto mais dor, o frio e o calor não me incomodam mais…

Ficarei quieta. Quando terminar sua vontade, me acorde.


segunda-feira, 19 de maio de 2014

Tristeza. (meados de 2010.)

Mesmo assim, ainda acho a tristeza mais bela e mais sincera que a felicidade. Fingir uma alegria é fácil demais. Forçar um sorriso leva menos tempo que forçar uma lágrima. 
Talvez o estranho seja eu. 
Porque? Sempre vi no mais feio a beleza pura. Apavoro-me no claro e deixo a escuridão ser minha amiga. Talvez...
Só talvez eu deva admitir que não passo de um louco. 
Sim! Um louco que ama o avesso e se encanta pelo torto.
É... 
A tristeza é a mais inocente dentre seus irmãos.
E a loucura? Deixarei a conclusão para vocês.


terça-feira, 13 de maio de 2014

O Vilão e o Mocinho. (meados de 2010)


Já fui o que mais amou e já lhe dei o pior ódio.
Agora nada sei.
Não quero mais me achar e nem saber quem sou, quem eu fui não interessa, o que serei a quem importa?
Já fui o mais perfeito de sua vida, mas também lhe ofereci a impureza.
Entre minhas faces, tu es o único que conhece o universo. Porém criei uma nova, sem traços... estarei sempre aqui ou acolá, olharei a todos sem nada falar, sem nada sentir mas quando observado, seu medo me fará respirar.
Serei o oculto que lhe trará saudades de um passado e talvez sua lágrima seja meu melhor alimento.
Sem face, nem vida... agora você me diz:

De quem mais gosta?
Do vilão ou do mocinho?

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Faces (meados de 2009)

E eu sempre achei que era o mestre em faces. O ator perfeito! Que sempre soube fazer o melhor uso de cada uma, escolher a que vestiria perfeitamente para uma determinada situação.
Aquele em que a mentira nunca passou de uma parte ativa no ser… O que sabes como ninguém manipular a mente de cada um, apenas com um rosto diferente.
Mentiras tão bem usadas, tão perfeitamente criadas! Porém nunca fiz uso da verdade para criar outros traços. E, no entanto, a essa altura de minha vida encontrei um mestre que está além de meus aprendizados, um que de uma certa maneira me fez o admirar, mesmo jogando sujo de meu próprio passa tempo. A esse apenas devo abaixar minha cabeça e entregar-lhe meu troféu. O de melhor ator… Pois sei quando sou vencido.
Parabéns caro colega e grande mentiroso. Foi capaz de mostrar-me que até em uma arte tão baixa, sempre há alguém melhor.
E devo lhe agradecer por me mostrar mais uma vez que realmente o leão sempre faz uso da pele de um cordeiro.



segunda-feira, 28 de abril de 2014

Asas (meados de 2009)

Não faço questão de mais nada… Apenas peço para que não corte minhas asas.
Talvez sejam jovens, sem jeito mas são minhas… Gosto da maneira com que se abrem e a forma como me fazem planar. Meus pousos podem não ser majestosos mas sei onde parar. Sei que não são belas como as de uma águia mas têm lá sua elegância e um dia hão de levar brilho aos olhos de quem as vê.
Sua força para me levantar aos céus é a mesma contida na mais sábia coruja somente preciso aprender a ser obediente ao silêncio…
Não as corte, deixe-me ser aprendiz. Não poupe-me desse meu medo de ser livre.

Sorria, sorria ao me ver voar… Isso basta.